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Museu de História Natural do Sul do Espírito Santo

MUSES Entrevista

Entrevista com o botânico Dr. Denilson Fernandes Peralta

Nos dias 17 e 18 de abril o MUSES recebeu a ilustre visita do Prof. Dr. Denilson Fernandes Peralta, Pesquisador Científico do Instituto de Botânica. Dr. Denilson tem experiência na área de Botânica, com ênfase em Taxonomia Vegetal, e veio para ministrar o curso “Informatização do acervo de herbários utilizando o programa Brahms”.

O BRAHMS é um sistema de gerenciamento de banco de dados, utilizado em herbários, jardins botânicos e bancos de sementes, a fim de administrar e integrar dados e imagens a partir de espécimes, pesquisas botânicas, observações de campo, coleções vivas, bancos de sementes e literatura. Desenvolvido na Universidade de Oxford, ele permite ao usuário total controle de seus dados, otimizando sua utilização para o maior número possível de serviços de curadoria e pesquisa de produtos. Saiba mais aqui.

O curso aconteceu nas dependências do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo (CCA-UFES) e contou com a presença de 13 participantes. Teve como objetivo capacitar os bolsistas e voluntários do MUSES no uso do programa, para informatizar a coleção existente das diversas áreas contempladas: Geologia, Parasitologia, Zoologia, Botânica e demais, do acervo do MUSES.

Participantes do curso juntamente com o Prof. Dr. Denilson Fernandes Peralta.

Há quanto tempo trabalha com o programa Brahms?

Há 11 anos. Esse programa foi desenvolvido na Universidade de Oxford.

Explicação de utilização do programa Brahms.

Como tem sido sua experiência com o programa?

Para o que a gente precisa, que é informatizar a coleção, e as respostas para quando as pessoas me pedem a quantidade de amostras existentes, ou o que eu faço no meu dia a dia, ele tem sido bem eficiente e responde ao que eu preciso, para ter um controle disso.

Ele é complicado de se utilizar?

Sim, no início ele é complexo de mexer, mas quando você se acostuma com a lógica, onde encontrar o quê, ele fica mais simples.

Participantes acompanhando as instruções do Dr. Denilson para o programa Brahms.

Qual o objetivo do programa e sua importância?

Gerenciar coleções e apresentar de forma rápida algumas respostas. E por isso, o curso foi a convite da professora Juliana, que estava querendo implantá-lo aqui desde o início. Ela disse que algumas coleções ainda estavam no começo e eram pequenas, podendo assim começar com elas informatizadas e perder o mínimo de tempo na parte de gerenciar informações, pois depois que a coleção fica muito grande, é difícil achar informações dentro dela, o que precisa ser modificado, e iniciar com ela sistematizada, dá para trabalhar muito bem.

Entrevista e texto: Lorena Castro
Revisão: Giseli Alencar

Publicado em: 23/04/2016


Entrevista com a artesã Marilena Rosa Marques

Oficina de modelos biológicos em biscuit

O MUSES recebeu a artesã Marilena, que veio ministrar o curso de capacitação em biscuit de modelos biológicos, que ocorreu nos dia 2 a 4 do mês de outubro de 2015 no CCA/UFES de Alegre.

Participantes da oficina de biscuit: Keminy, Luan, Profa. Juliana Rosa, Lorea, Marilena Rosa Marques, Tainara, Elaine, Annie, Joana e a coordenadora Profa. Luceli

Quando começou com a ideia de ser uma artesã?

Montagem do modelo biológico de polvo

Montagem do modelo biológico de polvo

Sou Marilena Rosa Marques, profissionalmente sempre fui conhecida como professora. Questão de artesanato sempre gostei, quando era solteira pintava telas a óleo, essas tintas a base d’água. Tudo que a gente fazia acabava nessas artes cênicas. Assim que eu me aposentasse que eu ia me dedicar a casa e a arte, depois me dediquei a profissão família e o artesanato de lado, mas a arte nunca. Dentro da escola, fazia decoração, fazia festa, sempre procurei despertar esse lado nas outras pessoas.

Pensava eu que ia voltar para pintura, mas não sei o que foi que a pintura não me atraia mais. Foi então que percebi o prazer de trabalhar e a habilidade com as mãos e que passou a ser uma necessidade por causa da artrite das mãos. Foi então que imaginei procurando trabalhos que usassem as mãos poderiam ser benéficos para minha saúde e isso seria uma terapia. E o biscuit surgiu quando a minha filha casula foi casar. Ela queria um topo de bolo, ela na moto dela e o noivo de carona, então ela começou a pesquisar preço e achar muito caro, um absurdo eu nunca tinha feito. Fiz um curso em Vitória, e o curso foi fazer já o topo de bolo dela, eu já entrei trabalhando e a professora me ajudou. Ele existe até hoje, porque o biscuit é conhecido como porcelana, ele depois de muito tempo da secagem completa, ela fica perfeita e dura a vida toda. Já tem cinco anos que eu fiz, tem guardado como enfeite, então você sempre tem  como lavar, ele dura a vida toda. Nunca consegui comercializar, eu dava de presente.

Uma vez na internet eu vi uns topos de bolo na internet de topo de bolos personalizados e parecidos com os noivos e vi que era em São Paulo o curso e fui fazer, lá aprendi a técnica de usar o isopor como esqueleto, pois fica mais leve, primeiro você esculpe o isopor como esqueleto, imagina aquilo que quer fazer. Foi onde eu aprendi a arte de introduzir o isopor como esqueleto. E você aperfeiçoa seu trabalho. Vocês perceberam né? Deixa mais leve e tudo mais.

 É muito prazeroso para mim, faço para casa, família, amigos, não é fonte de renda e comercializar não é a minha praia.

Há quanto tempo que trabalha com biscuit?

Já trabalho com o biscuit tem 5 anos. E digo que são os detalhes que levam a perfeição de uma peça. Isso é um ganho para fazer esses modelos. Fiquei encantada com entusiasmo de vocês e a capacidade e digo que são os detalhes que levam a perfeição de uma peça, aqueles furinhos, aquela torção e queria despertar isso em vocês. O olhar que vocês têm sobre esses modelos não é o mesmo que o meu, o meu é artístico e vocês sabem o que é, a função, como ele tem que ser, se é mais pra cima, mais para baixo e é importante para vocês na produção desse material, e se quiserem até comercializar.

E sobre o percurso do seu marido por essas rochas e a doação para o MUSES?

O João de Oliveira, capitão da policia federal do Espírito Santo era médico, clínico geral e dermatologia, mas o que ele gostava era ser clínico geral. Desde pequeno cresceu em fazenda e via muitas pessoas morrerem e ele queria ser capaz de salvar aquela vida e isso o levou a fazer medicina. Então ele escolheu ser clínico médico. E a história desse percurso foi que nos conhecemos na Amazônia, na construção de hidrelétrica de Tucuruí, onde tinha 50 mil trabalhadores e resolvemos permanecer lá, porque eu era apaixonada pela Amazônia, tudo era estimulante e aventura. O gosto pelas pedras, paralelo a isso era que tinha um cunhado que trabalhava com elas e trabalhou em Serra Pelada por 5 anos e lá ganhava muita pedra, e tudo que não fosse ouro e não tinha interesse levavam para ele. E essas doações é uma pequena amostra do que eu tinha que esses trabalhadores pensavam nessas pedras e levavam para o doutor.

Doações de pedras e rochas de Marilena Rosa
Doações de pedras e rochas de Marilena Rosa

Entrevista: Lorena Castro


Entrevista com Ana Carolina Oliveira

No dia 15 de novembro de 2015 aconteceu mais um curso de capacitação da equipe do MUSES. O curso de “Noções Básicas de Vetorização de Imagens Utilizando Inkscape”, ministrado por Ana Carolina Machado de Oliveira, graduanda em ciências biológicas pelo Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo -CCA/UFES.Os bolsistas do MUSES, observaram e praticaram as técnicas de vetorização de imagens. Ana Carolina nos forneceu uma entrevista sobre como descobriu o software e a sua utilidade em trabalhos que utilizam imagens.

Como se deu seu interesse por vetorização de imagens?

Resolvi este ano fazer meu estágio obrigatório no MUSES sobre os manguezais do Espírito Santo, características gerais e importância. Entretanto não queria desenvolver atividades tradicionais, foi aí que surgiu a ideia de elaborar um panfleto educativo e lúdico, sendo de fácil compreensão por todo público-alvo do museu. Como sempre gostei de fazer uns “rabiscos”, sugeri que ao invés de usar imagens eu mesma poderia fazer os desenhos. E nessa parte entra a vetorização, pois precisava transformar aquele desenho a mão em algo realmente utilizável.

Há quanto tempo você trabalha com o software (Inkscape)?

Descobri o Inkscape por acaso, pesquisando algum programa de vetorização que eu pudesse baixar gratuitamente. Nunca havia trabalhado com nada de vetorização antes. Comecei a mexer e descobrir as funções do programa este ano, em abril.

Quais utilidades da ferramenta para ensino?

O programa realiza a edição e vetorização de imagens, por meio da edição de nós, transparência, textos, degradês, vetorização, múltiplas camadas e tantos outros recursos. Por meio dessa educação científica, é possível transformar o conhecimento em algo lúdico e atrativo.

Qual o grau de dificuldade que se pode encontrar?

É bem fácil trabalhar com o programa, principalmente para os mais curiosos. O programa é disponibilizado em português, tornando ainda mais fácil aprender sobre o mesmo. Como tudo o que fazemos, deve-se praticar e assim a vetorização se torna sempre melhor. Para aqueles que não fazem ideia por onde começar, existem tutoriais disponíveis no youtube.


Entrevista com o taxidermista Ademar Lorenzutti

Ademar Lorenzutti taxidermista no CCA-UFES Laboratório de Zoologia

Em dezembro de 2014, ocorreu no Centro de Ciências Agrárias – CCA-UFES o curso de taxidermia ministrado pelo Sr. Ademar Lorenzutti, 59 anos, morador de Linhares, detentor de um museu de acervo pessoal, relata a paixão pela taxidermia, de pai para filho, e atua na atividade desde os 15 anos de idade, onde já trabalhou em outros lugares, como o IBAMA e algumas instituições que levam estes animais vítimas de atropelamentos e óbito para ele taxidermizar. O curso de capacitação em taxidermia, orientou os bolsistas da importância em se preservar uma espécie e passar conhecimento científico do habitat, nicho ecológico e todos os fatores preponderantes que pudessem contribuir para conservação do espécime.

A entrevista foi cedida e gravada em áudio:

Como que você começou a sua paixão por taxidermia?

O incentivo primeiro foi o iniciador de todo processo do aprendizado meu, foi meu saudoso pai. Ele trabalhou durante 72 anos com taxidermia por iniciativa própria, por curiosidade e não tinha nenhuma informação nem informação. Deixou um legado muito grande, não só no contexto da família, mas como deixar algo que pudesse contribuir para natureza que ele defendia com unhas e dentes, porque na época dele usava-se o machado, ele via muitas madeiras e árvores lindas sendo devastadas e junto com elas animais, em consequência da devastação da mata. E ele pensou que deveria fazer algo para as futuras gerações conhecer as espécies. Ele queria saber uma forma de querer mostrar isso só que ele não poderia levar elas vivas, então como preservá-las para as futuras gerações? Na época, caçar era permitido, então ele várias vezes se deparou com caçadores e der repente apareceu diante dele um mutum, uma ave muito linda por sinal que está taxidermizada lá no museu, ave comum lá das matas, e eles comiam a carne desta ave. Então a primeira ave foi o mutum, em que ele abriu a pele do mutum, sem experiência nenhuma, com uma ideia de preservação, colocou primeiramente o sal e depois encheu com paina ( semelhante ao algodão) o interior e encheu numa pele preservada em sal e deu o formato, que como de primeira vez não ficou legal, mas idealizou que aquele era o caminho para taxidermizar.

E desde então foi fazendo peça, só que o sal era só para determinado momento. Na época no interior, tinham missões de padres, e um destes padres o viu embalsamando, este era o termo daquela época, que seria uma técnica que veio da origem da mumificação, lá dos antigos egípcios, e se modernizou com os produtos eficazes e está ficando cada vez melhor.  Mas então der repente o padre conhecia essa técnica e passou as que ele tinha aprendido na Itália, que conhecia essa forma de preservação através de produtos que ele utilizava, e a partir daí foi-se aprimorando suas peças.

E nessa época, Ademar era o único que se interessava, desde os 15 anos que começou a trabalhar com ele na taxidermia. Então a taxidermia vem para preservar uma espécie para se estudar no futuro. Contribui para estudar a forma do porquê da sua extinção, sua evolução genética e alterações, tudo isso através de estudos futuros, pois a taxidermia é bem ampla, você faz ela de forma artística e científica, enfim de fundamentação ambiental de se mostrar nas escolas.

 Você pode trabalhar em escola, universidades, museus e em diversas formas. Você mostra para conscientizar crianças, jovens e o público em geral para ver até sua história. E a taxidermia conta história, como falei antes, a cada 4 horas, pelo documento que li, um ser vivo morre, então se ele morre você tem que preservar de alguma forma e a taxidermia é umas formas de preservar na forma estática e saber o nome cientifico habitat, DNA e de pesquisas futuras e então as pessoas vão conhecendo. E a técnica hoje facilita taxidermizar animais maiores, como por exemplo uma girafa e um elefante.

Você tem um museu?

Sim, essa fundação surgiu necessariamente com nome do meu pai falecido, Elias Lorenzutti, idealizador desse acervo para dar sustentabilidade a esse processo de forma particular, e nunca cobrou nada por essa visitação de acervo e sempre atendendo as solicitações de escolas e vibrava com os alunos a contar as histórias. E coincidentemente uma escola de Linhares abraçou essa causa para gestão que acredito que agora isso vá caminhar, que deram ideia, mas como não tínhamos ideias de gestão, então fizemos parceria com essa escola e vamos criar esse espaço e oficinas permanentes para conhecer a técnica, não só de manutenção e geração mas criar futuros taxidermistas pois existem poucos, pelo motivo que não dá lucro, mas sim um lucro de prazer e saber que contribuiu para uma causa justa.

Você só trabalhou com taxidermia?

Não, eu já fui bancário, mas sempre continuava na taxidermia desde os 15, mas nas horas vagas estava ajudando meu pai, e trabalho há 49 anos com taxidermia de forma prazerosa de saber que alguma forma estou contribuindo, saber que estou aqui contribuindo com isso e conhecendo pessoas maravilhosas. E quando taxidermizo não me contento com as peças feitas, como por exemplo a capivara que eu achei que não ficou legal, para mim toda peça que monto sinto que algo falta e preciso aprender a aprimorar. E ficamos apaixonados pela arte, saber montar e ajudar alguém a montar essa peça melhor. Se você faz por amor tudo flui naturalmente.

Quantas espécies você tem no seu museu?

Nesses 72 anos que meu pai vem trabalhando juntamente comigo, o número de espécies durante esse período é difícil de calcular, pois não temos só taxidermizadas aqui, temos no exterior, como Itália e Estados Unidos, que na época era permitido e hoje não se pode mais. Agora dentro do nosso acervo, contamos com 2.000 espécies não todas expostas, umas guardadas para espera o espaço adequado e outras para visitação.

Não fomos numerando, mas são inúmeras, temos espécies do Rio de Janeiro, algumas que fizemos para o museu Mello Leitão em Santa Teresa, e que pelo Brasil inteiro, são mortos de formas por vários fatores, que vem para serem moldadas e retornam para as unidades de deles.

Áudio gravado por: Rúbia Vanelli

Peças taxidermizadas pela equipe MUSES instruídos pelo Sr. Ademar Lorenzutti

 

Bolsistas do MUSES e Ademar Lorenzutti

Texto: Lorena Castro

Publicado em: 21/08/2015


Entrevista com a Profa. Dra. Isabella Vilhena Freire Martins

Profa. Dra.Isabella Vilhena Freire Martins

Aconteceu no dia 16 de abril de 2015 o curso de capacitação, “Incrustação em resina", ministrado pela Profa. Dra. Isabella Vilhena Freire Martins do Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal do Espírito Santo -CCA/UFES.  Os bolsistas do MUSES, assistiram e praticaram as técnicas de conservação, preparação e informações sobre o material ao ser incrustado para fins científicos.Isabella nos forneceu uma entrevista, onde ela relata as técnicas e a importância do curso "Incrustação em resina".

Como surgiu a ideia de mexer com incrustação de resina por você?

Surgiu da necessidade de manter os espécimes de animais de uma forma que o usuário não quebrasse nenhuma parte ao manipular. E também que facilitasse o transporte dos espécimes. 

O que é a técnica de incrustar em resina?

É uma técnica na qual se usa a resina para envolver esses espécimes, facilitando seu manuseio.

Qual a importância e há quanto tempo você utiliza desse método?

O método é usado há uns 5 anos no laboratório de parasitologia para manter uma coleção didática para aulas práticas e exposições.

Essa técnica é muito utilizada por você?

Ainda considero pouco utilizada tendo em vista a dificuldade de encontrar monitores e alunos interessados em treina-la, já que é muito trabalhosa.

Qual o cuidado que deve ter ao manusear os animais e a resina?

Os animais a serem incrustados devem estar secos e inteiros para que se possa ver todas as suas partes. Quanto a resina e demais produtos utilizados deve-se ter cuidado por serem materiais químicos e, portanto, o uso da capela de exaustão é essencial na execução da técnica.

Qual o grau de dificuldade que se pode encontrar?

A dificuldade maior é nos pequenos detalhes, como escolher bem o material, adequar as quantidades de resina/monômero e catalisador, há ainda a parte de lixar, que são possíveis dificuldades e, portanto, a atenção a esses pontos é essencial.

Anexos: Fotos do 1º dia do curso de incrustação em resina

Bolsista do Muses manipulando a resina na capela

Bolsista do Muses manipulando a resina na capela.

Bolsistas do acervo aprendendo técnicas de incrustação em resina

Bolsistas do acervo aprendendo técnicas de incrustação em resina.

Bolsistas do Muses observando e manipulando os exemplares prontos

Bolsistas do Muses observando e manipulando os exemplares prontos.

Texto: Lorena Castro

Publicado em: 23/06/2015

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